Como triar problemas nos primeiros 90 dias — caso de Urologia

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Cistoscopias: 3 semanas de espera

Protocolo de agendamento direto proposto há 8 meses. Enfermeira-chefe do ambulatório validou. A reunião de serviço disse "vamos pensar". Ninguém pensou mais.

O problema é visível, doloroso, reconhecido por toda a equipa — e tratável em semanas, sem depender de nenhuma autorização externa.

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Vão doer em breve

Escalas operatórias e alianças não escritas

Acordos antigos sobre quem opera o quê e em que dia. Aparentemente irracionais — mas com história por trás. A Dra. Rita avisou: "vai partir vidros que não imagina."

Não são um problema imediato, mas mexer neles sem preparação transforma-os num imediatamente. Exigem diagnóstico antes de qualquer decisão.

→ Vigiar, mapear alianças, não tocar ainda
Talvez doam um dia

Modelo de referenciação, estrutura do ambulatório, formação de internos

Problemas reais e importantes — mas intratáveis nos primeiros 90 dias. Dependem de aprovações superiores, recursos que não existem ainda, ou de uma reputação que ainda está a ser construída.

Não são inimigos. São projetos para depois.

→ Registar, não prometer, não começar
A tentação que quase todos os diretores novos sentem: começar pelos terceiros. Parecem mais estratégicos, mais nobres, mais à altura do cargo — reorganizar o modelo de referenciação, redefinir a estrutura de internato. É um erro. Nenhum desses problemas é visível para a equipa na semana em que acontece, e a equipa é quem está a avaliar.
A legitimidade nos primeiros meses constrói-se a resolver problemas visíveis e dolorosos — não problemas elegantes. O Dr. Duarte que resolve as cistoscopias em seis semanas ganha capital político para, mais tarde, abrir a conversa sobre escalas. O que começar pelo modelo de referenciação não chegará a essa conversa com autoridade.