A composição da equipa de mapeamento determina o que o mapa irá revelar — antes mesmo de se começar a desenhar o percurso. Oito perfis e uma ferramenta de diagnóstico prévia.
A sala que parece evidente — e que produz o mapa parcial
A composição habitual: director de serviço, médico sénior, enfermeiro-chefe, talvez um administrativo. Quatro a cinco pessoas, todas com perspectiva clínica ou clínico-administrativa próxima do centro de gravidade do serviço.
Esta composição produz mapeamentos com um padrão característico: os passos dentro do serviço são descritos com precisão; os passos de transição entre serviços são descritos com vaguidade ou simplesmente subestimados. As «esperas inexplicáveis» continuam inexplicadas. As «comunicações falhadas» continuam atribuídas vagamente a «falta de articulação».
No final, o mapa reflecte a sala: preciso no interior do serviço, mudo nas transições. As esperas entre serviços — que são exactamente onde o tempo se perde — ficam por explicar.
Médico de linha
o clínico que executa o percurso, não o que o desenhaEnfermeiro de cuidados directos
não o chefe; o que está com o doenteAdministrativo / secretariado
o profissional mais subestimado do hospitalAssistente operacional
vê o hospital de uma perspectiva únicaTécnico de diagnóstico e terapêutica
imagiologia, análises, anatomia patológicaFarmacêutico hospitalar
o ponto onde atrasos se acumulam invisivelmenteInformática / sistemas de informação
conhece o atrito digital invisívelGestor de camas / transporte interno
vê o hospital como sistema de fluxoPense num mapeamento que tenha conduzido ou esteja a planear. Marque quem vai efectivamente estar presente.
Seleccione os perfis que realmente vão estar na sala — não os que gostaria que estivessem. A ferramenta identifica as perspectivas em falta e o tipo de informação que provavelmente não será captada. Esta verificação prévia poupa frequentemente o tempo de refazer um mapeamento incompleto.
Em percursos relativos a doença crónica, oncologia, saúde mental ou cuidados paliativos, há um perfil cujo conhecimento operacional não está disponível em nenhum dos oito anteriores: o do próprio doente que percorreu o caminho, ou do cuidador que o acompanhou. É o único que viveu o percurso por inteiro, do início ao fim.
O doente sabe quanto tempo esperou na sala. Sabe quantas vezes lhe pediram a mesma informação. Sabe se alguém o esclareceu de forma efectiva. Sabe onde se sentiu perdido entre serviços. Nos mapeamentos bem estruturados, incluir o doente — através de entrevistas qualitativas ou painéis estruturados — é frequentemente a fonte de informação mais reveladora de todas.
Esta inclusão tem de ter dois cuidados: nem todos os percursos a justificam (uma manobra técnica curta raramente beneficia), e a perspectiva do doente é uma entre várias, não a única verdade do percurso. Mas onde se aplica, transforma os resultados destes mapeamentos. O que para o profissional é «uma das esperas habituais» é, para o doente, frequentemente o evento dominante da sua memória do percurso.