Os instrumentos que respeitam as propriedades do trabalho clínico sobrevivem; os que as ignoram falham — de forma previsível.
Transfere bem porque respeita autonomia, variabilidade legítima e dimensão relacional
Torna visível o percurso real sem alterar a estrutura organizacional. Não ameaça a autonomia — apenas expõe o fluxo.
Os profissionais propõem e executam as melhorias. Respeita a autonomia historicamente protegida em saúde.
Coloca informação onde está o trabalho. Não exige tecnologia sofisticada — o mais eficaz é frequentemente o mais simples.
Reduz movimento desperdiçado e defeitos por material fora do lugar. Resultados visíveis em semanas, com impacto directo na segurança.
Compatível com o raciocínio clínico. Não pede mudança epistemológica — aplica um método que o clínico já reconhece.
Sincroniza reposição com consumo real. Reduz tanto a ruptura de stock como o excesso de inventário.
Ignora propriedades específicas do trabalho clínico e produz resistência ou dano
Ignora a variabilidade legítima entre doentes. Pressiona para acelerar actos que pediam tempo, degradando qualidade e moral das equipas.
Confunde variabilidade de processo (eliminável) com variabilidade clínica legítima (essencial). Produz resistência justificada e piora os casos atípicos.
As médias escondem os casos extremos onde os problemas habitam. «Tempo médio de 4h» pode coexistir com 5% de doentes à espera de 24h.
A procura em saúde tem picos imprevisíveis. JIT extremo colapsa em qualquer evento incomum — exactamente quando a reserva é mais necessária.
A burocracia profissional resiste estruturalmente. Produz tipicamente dois anos de conflito e regresso ao modelo anterior.
Algumas redundâncias são protecções deliberadas contra erro — não desperdício. Eliminá-las produz eventos adversos previsíveis. É o erro com consequências mais graves.