Auditoria ao calendário · fluxos diários

Que parte do pico vem do calendário?

Num serviço de internamento, entram doentes pela urgência ou por admissões programadas e saem quando têm alta. Quando estes fluxos se concentram em dias diferentes, surgem dias com mais entradas do que saídas. Este exercício mantém os totais e redistribui apenas a actividade cuja organização pode ser revista, para mostrar que parte do pico pode estar no calendário.

Exercício pedagógico hipotético. O quadro descreve a distribuição temporal de fluxos; não calcula ocupação, camas disponíveis, espera ou segurança da alta.

Observe o ponto de partidaProcure dias com barras altas, uma linha de altas mais baixa e pontos âmbar.
Teste uma alteraçãoActive um controlo de cada vez e veja que indicadores mudam — nem todos têm de melhorar.
Compare o conjuntoActive depois os dois controlos. Os totais mantêm-se; muda apenas a distribuição pelos dias.
Não programado · observar As entradas variam de dia para dia e mantêm-se iguais em todos os cenários.
Organizável · testar Admissões programadas e altas preparáveis podem estar concentradas por decisões de agenda.

Aqui analisamos quando ocorrem entradas e saídas. As altas só são redistribuídas no exemplo quando são clinicamente adequadas e a sua preparação organizativa o permite.

Entradas e saídas, dia a dia

As barras empilhadas mostram entradas; a linha mostra altas previstas. O ponto âmbar assinala dias em que as entradas excedem as altas previstas.

Como ler este gráfico
  • Barra azul: entradas não programadas, como admissões urgentes. São iguais nos quatro cenários.
  • Topo coral: admissões programadas acrescentadas às entradas desse dia.
  • Linha verde: altas previstas para esse dia; é um fluxo de saída, não a capacidade total do serviço.
  • Ponto âmbar: nesse dia, as entradas superam as altas previstas. O ponto assinala um saldo de fluxos positivo, não prova falta de camas.
Calendário inicial
Entradas e altas previstas ao longo de vinte e oito dias Calendário inicial com entradas não programadas, admissões programadas e altas previstas. doentes / dia
Como espaçar as admissões programadas? Rever o calendário e as dependências — não repartir doentes mecanicamente.

Princípio: distribuir a carga previsível pelos dias em que as equipas e os recursos necessários conseguem recebê-la, deixando margem para a procura não programada.

O que é preciso conhecer

  • Em que dias e épocas se concentram habitualmente as entradas urgentes.
  • Que recursos exige cada admissão: equipa, bloco operatório, exames, cuidados diferenciados ou outros apoios.
  • Que casos têm maior intensidade previsível; dez admissões não representam sempre a mesma carga.

Como testar uma distribuição diferente

  1. Mapear as admissões por dia da semana e identificar concentrações evitáveis.
  2. Rever agendas, blocos e vagas em conjunto com as equipas que recebem e acompanham os doentes.
  3. Criar vagas distribuídas pelos dias úteis, preservando excepções justificadas pela situação clínica.
  4. Testar em pequena escala e acompanhar cancelamentos, tempos de espera, carga das equipas e segurança.

O objectivo não é ocupar todos os dias por igual. É evitar picos criados pela agenda quando existem alternativas praticáveis.

Como preparar melhor as altas? Antecipar obstáculos depois de assegurada a prontidão clínica — nunca apressar uma saída insegura.

Primeiro vem a decisão clínica. Em geral, a alta é decidida quando o estado clínico melhorou ou estabilizou e o utente já não necessita dos cuidados do internamento. A equipa assistencial confirma essa prontidão; o calendário não a determina.

Por que pode uma alta não acontecer nesse dia?

  • Medicação, relatório, receita ou informação ao utente e à família ainda não estão preparados.
  • Faltam transporte, equipamento, apoio domiciliário ou condições adequadas no destino.
  • A continuidade com cuidados de saúde primários, continuados ou outra resposta ainda não está articulada.
  • Existem dificuldades sociais que precisam de avaliação e resposta.

Como reduzir obstáculos evitáveis

  1. Começar a planear na admissão, identificando necessidades previsíveis e uma data provável — sempre provisória.
  2. Rever diariamente a evolução clínica e os obstáculos que ainda impedem uma saída segura.
  3. Atribuir responsáveis e preparar com antecedência medicação, documentos, transporte, equipamento e apoios.
  4. Confirmar, no momento da alta, que a decisão continua clinicamente adequada e que o plano foi compreendido.

Nem todas as altas podem ou devem mudar de dia. O que se procura redistribuir são tarefas preparáveis em torno de altas clinicamente adequadas.

Entradas acima das saídas

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Conta os dias com saldo positivo. Mostra frequência, não a dimensão de cada diferença.

Maior excesso diário

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Maior diferença num só dia. Ajuda a localizar o pico que merece investigação.

Amplitude das entradas

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Diferença entre o dia com mais e o dia com menos entradas. Mostra irregularidade.

Programado nos 2 dias úteis de maior carga

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Percentagem das admissões programadas concentrada nos dois dias úteis mais carregados.

Totais fixos nos quatro cenários: Não programadas — Programadas — Altas previstas —
Consultar os 28 dias em tabela
Entradas e altas previstas em cada dia do cenário seleccionado
Dia Não programadas Programadas Altas previstas Saldo
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