Capítulo 12 · Gestão da Mudança

A curva de Rogers — a quem se dirige a mudança

Everett Rogers, "Diffusion of Innovations", 1962 — as cinco categorias de aderentes, definidas por desvios-padrão em torno do momento médio de adesão.

Perante uma mudança, uma população divide-se sempre da mesma maneira. O erro clássico é gastar a energia a tentar converter os mais resistentes — que são poucos, e os últimos a mover-se. Escolha onde investir e veja a difusão pegar… ou não.

1 · Onde investir a energia dos primeiros seis meses

Clique num grupo para o conhecer — e depois faça correr a difusão.

ponto crítico · 16% acumulados cedo → → tarde

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Se investir aqui

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Adopção no serviço, ao fim de um ano—
16% · ponto crítico
Escolha um grupo e faça correr a difusão. Repare no que acontece quando a adopção passa — ou não — a linha dos 16%.

2 · Os cinco atributos — a velocidade de adopção desenha-se

Rogers identificou cinco características que determinam a rapidez com que uma inovação se difunde. São, quase todas, decisões de desenho.

Velocidade de adopção previsível—

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Porque isto importa para o médico gestor

A implicação prática de Rogers é contra-intuitiva e vale por si só: não gaste a energia inicial nos mais resistentes. Concentre-a nos aderentes precoces — que são os líderes de opinião informais, aqueles a quem os outros perguntam o que acham — e nas vitórias visíveis que eles produzem. Quando a adesão chega aos 15–20%, a dinâmica social muda de sentido: deixa de ser preciso convencer, porque aderir passa a ser o comportamento normal e não aderir é que exige justificação. E há uma nuance que separa o gestor experiente do principiante: os inovadores não são os aderentes precoces. São entusiastas úteis para testar, mas frequentemente vistos como excêntricos — a sua adesão não convence ninguém. Quem convence é o colega respeitado do meio da tabela.

Exemplo no SNS

Dr. Miguel · telemonitorização na DPOC

A versão 1 do projecto falhava em quatro dos cinco atributos ao mesmo tempo: era incompatível com o modo de trabalhar (um sistema paralelo ao processo clínico), complexa (doze passos), não testável (ou se aderia ao programa, ou não) e invisível (ninguém via os resultados de ninguém). Tinha apenas vantagem relativa — e provada por evidência externa, não pela experiência dos colegas. A versão 2 corrigiu os quatro: dois cliques dentro do processo clínico, titularidade devolvida, possibilidade de experimentar com um ou dois doentes, e resultados apresentados pelos próprios aderentes na reunião de serviço. Note-se quem apresentou: não foi o Dr. Miguel. Foram os três colegas que tinham aderido primeiro — os aderentes precoces a fazer o trabalho que nenhuma apresentação do director conseguiria fazer.