Capítulo 11 · Cultura Organizacional
Traços profundos e notavelmente estáveis da cultura médica — e a linha de fractura geracional que hoje a atravessa.
A cultura médica tem virtudes enormes: é ela que sustenta o rigor, o brio e a dedicação que fazem a medicina funcionar. Mas cada um dos seus traços tem duas faces — e o custo organizacional é o reverso exacto da virtude. Vire cada cartão para ver as duas.
Autonomia individual
Cada médico responde pelo seu doente, com um sentido de responsabilidade que garante empenho e vigilância clínica.
↻ ver o custoAutonomia individual
A interferência externa é vivida como ameaça — dificulta a coordenação, a normalização (Cap. 8) e o trabalho de equipa alargado.
Excelência técnica como estatuto
A competência é a moeda do respeito: puxa toda a gente para cima e sustenta o rigor.
↻ ver o custoExcelência técnica como estatuto
O estatuto vem do brilho técnico individual — e o trabalho colectivo e a gestão ficam desvalorizados, incluindo o dos colegas que os assumem.
Responsabilidade individual
O médico assume a responsabilidade pelo seu doente sem a diluir — a espinha dorsal da confiança clínica.
↻ ver o custoResponsabilidade individual
Levada ao extremo, faz viver o erro como falha pessoal e vergonha — o que empurra para o silêncio e mina a cultura justa de segurança (Cap. 27).
Cepticismo perante a hierarquia
Respeitam-se competências, não cargos — protecção contra a obediência cega e a decisão imposta de cima.
↻ ver o custoCepticismo perante a hierarquia
Resiste à autoridade formal e à prestação de contas colectiva. O director que só tem o cargo — e não a competência reconhecida — não é seguido.
Foco no doente individual
O doente concreto à frente é o centro — a fonte da dedicação e do cuidado.
↻ ver o custoFoco no doente individual
Subvaloriza a população, o sistema e a lógica do agregado (Cap. 9): o que é óptimo para este doente pode ser mau para o conjunto.
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